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36 Horas? A Piada de Mau Gosto Que Tenta Enganar a Enfermagem

“Enquanto a categoria luta por 30 horas semanais, piso digno e valorização real, parlamentares tentam aprovar 36 horas como base de cálculo do piso — uma concessão que não resolve nada.”

PEC 19: A Luta da Enfermagem Brasileira por 30 Horas e Valorização Real

A enfermagem brasileira vive um momento histórico e crítico. A PEC 19, que tramita no Congresso Nacional, propõe estabelecer piso salarial nacional e jornada de 30 horas semanais. Mas a proposta ainda enfrenta resistência política, negociações complexas sobre financiamento e tentativas de alterar pontos essenciais da proposta. Para a categoria, este é um momento decisivo: sem mobilização, direitos conquistados podem ser perdidos ou reduzidos a migalhas.

PEC 19 - Enfermagem
A PEC 19 representa uma luta histórica por dignidade e condições justas de trabalho

O que é a PEC 19?

A PEC 19 nasceu da necessidade de dar reconhecimento e dignidade a uma das maiores forças de trabalho da saúde no país. Entre os principais pontos da proposta:

✔️ Piso salarial nacional: garantir um salário mínimo digno, calculado de forma justa para enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras. Hoje, muitos recebem o piso como teto, sem progressão ou reconhecimento de experiência.
✔️ Jornada de 30 horas semanais: reduzir sobrecarga física e mental e prevenir adoecimento da categoria.
✔️ Reajustes anuais baseados na inflação: assegurar que o poder de compra não seja corroído ao longo do tempo.
✔️ Progressão salarial e valorização da experiência: profissionais mais antigos ou com funções complexas devem receber remuneração proporcional à sua responsabilidade.

Este é um passo essencial para corrigir décadas de desvalorização, garantindo que a enfermagem seja tratada como uma profissão estratégica para a saúde pública.

Mobilização da Enfermagem
Profissionais de enfermagem mobilizados em Brasília pela aprovação da PEC 19

36 horas NÃO nos representa

Recentemente, parlamentares propuseram alterar a jornada de 30 para 36 horas, sob o argumento de viabilizar a aprovação da PEC. No entanto, a categoria alerta: 36 horas não é suficiente e representa uma concessão que compromete o direito conquistado.

“36 horas NÃO nos representa! O projeto do Sistema é manter a desvalorização da enfermagem, nos prendendo às migalhas de sempre em ano eleitoral. Nunca nos darão o que realmente necessitamos, pois daqui a dois anos tem mais pra negociar.” – Paulo Ribeiro, profissional de enfermagem

Essa proposta levanta questões importantes: abrir mão de direitos fundamentais para aprovar a PEC é avanço ou retrocesso? A pressão política em ano eleitoral não pode transformar direitos em moeda de troca.

Piso Nacional da Enfermagem: valores oficiais e realidade

Em agosto de 2022, o Congresso Nacional sancionou a Lei nº 14.434/2022, que instituiu o piso salarial nacional para os profissionais de enfermagem em todo o Brasil. A norma fixa valores mínimos que devem ser respeitados em qualquer contrato de trabalho, seja no setor público ou privado:

👩‍⚕️ Enfermeiros(as): R$ 4.750,00 mensais
🧑‍🔧 Técnicos(as) de enfermagem: R$ 3.325,00 mensais (70% do piso dos enfermeiros)
👶 Auxiliares de enfermagem e parteiras: R$ 2.375,00 mensais (50% do piso dos enfermeiros)

Esses valores foram definidos pela lei federal e confirmados por órgãos oficiais, e a própria Emenda Constitucional que garantiu o piso determinou mecanismos de apoio financeiro da União para estados, municípios e instituições que atendam pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Apesar de vigorar, estudos recentes mostram que o piso ainda não é totalmente cumprido na prática, especialmente entre técnicos, cuja remuneração média ainda fica abaixo do mínimo legal em muitas contratações, conforme levantamento do DIEESE.

Piso Salarial da Enfermagem
O piso salarial é um direito, mas ainda enfrenta desafios para ser cumprido integralmente

Posicionamento do Fórum Nacional da Enfermagem

Em 19 de março de 2026, representantes do Fórum Nacional da Enfermagem entregaram um ofício à senadora Eliziane Gama (PSD-MA), autora da PEC 19, e ao senador Fabiano Contarato (PT-ES), relator da proposta. O documento formalizou o posicionamento das entidades sobre a PEC, dando aval à vinculação do piso a uma jornada de 36 horas semanais como base de cálculo, mas reforçando que a luta pelas 30 horas semanais continua como prioridade da categoria.

O conselheiro federal Antônio Neto, representando o COFEN, esteve presente na reunião, e o documento foi assinado por entidades como COFEN, ABEn, CNTS, CNTSS, Confetam, Anaten e FNE. Segundo o Fórum, a adoção das 36 horas é uma solução de viabilidade política, sem abrir mão dos direitos históricos da categoria.

“A alteração diz respeito exclusivamente à base de cálculo da jornada, mantendo-se a previsão de reajuste anual do piso prevista na PEC.” – Fórum Nacional da Enfermagem
Fórum Nacional da Enfermagem
Representantes do Fórum Nacional da Enfermagem entregam ofício no Congresso Nacional

Caravana de Mato Grosso: mobilização que marca presença

Uma das iniciativas mais significativas da luta pela PEC 19 foi a saída de caravanas do estado de Mato Grosso rumo a Brasília. Profissionais de enfermagem percorreram centenas de quilômetros para exigir respeito, valorização e cumprimento da PEC, demonstrando que a categoria não está disposta a aceitar concessões que comprometam direitos históricos.

A caravana reuniu enfermeiros, técnicos e auxiliares que, além de entregar reivindicações a parlamentares, participaram de reuniões, assembleias e protestos pacíficos, reforçando a importância da participação ativa dos cidadãos na tomada de decisões. Essa presença física nas discussões legislativas aumenta a pressão sobre os parlamentares e garante que a voz da categoria seja ouvida.

“Partir de Mato Grosso para Brasília foi mais do que uma viagem; foi mostrar força, compromisso e que não aceitamos migalhas.” – enfermeira participante da caravana
Caravana de Mato Grosso
Caravana de profissionais de enfermagem de Mato Grosso chega a Brasília

Mobilizações pelo Brasil

Além de Mato Grosso, profissionais de todas as regiões organizaram caravanas e protestos, reforçando que a enfermagem não aceita concessões parciais. As principais reivindicações incluem:

✔️ Jornada de 30 horas sem alterações;
✔️ Piso salarial digno, sem complementos mascarados;
✔️ Insalubridade de 40%;
✔️ Aposentadoria especial.

As mobilizações demonstram que participação cidadã organizada é fundamental para pressionar parlamentares e garantir que a PEC reflita as necessidades reais da categoria.

Mobilizações pelo Brasil
Profissionais de enfermagem de todo o país se mobilizam por direitos

Desafios do piso salarial

O piso salarial nacional envolve questões complexas de financiamento. Municípios, estados e hospitais privados ou filantrópicos precisam ter recursos claros para garantir o pagamento, sem comprometer regras fiscais.

O STF já determinou que qualquer aumento sem fonte de custeio definida é inconstitucional. Isso cria tensão: os direitos existem, mas a viabilidade prática depende de planejamento financeiro e vontade política.

“O problema não é o reajuste em si, mas a forma de financiamento. Sem recurso definido, corremos risco de ver nossos direitos questionados.” – Samuel Blasius, técnico de enfermagem

Sobrecarga da enfermagem

A realidade diária dos profissionais vai além de salários: jornadas longas, desgaste físico e emocional e risco de doenças ocupacionais são comuns. Dados de sindicatos e do COFEN indicam:

✔️ Mais de 70% dos profissionais relatam síndromes relacionadas ao estresse e burnout;
✔️ Longas jornadas e falta de profissionais aumentam o risco de erros médicos;
✔️ Muitos jovens profissionais abandonam a carreira ou migram para o setor privado, agravando a crise.

A pandemia de COVID-19 escancarou a situação: enfermeiros e técnicos mostraram ser essenciais, mas muitas vezes foram ignorados na hora de valorizar a profissão.

O sonho das 30 horas: benefícios e importância

A jornada de 30 horas semanais é muito mais que um número: representa saúde, dignidade e valorização para a enfermagem brasileira. Profissionais que trabalham menos horas por semana têm maior capacidade de atenção e menor risco de erros, impactando diretamente a segurança do paciente.

Reduzir a carga horária diária contribui para:

✔️ Menor desgaste físico e mental, prevenindo doenças ocupacionais e burnout;
✔️ Mais tempo para atualização profissional, cursos e especializações, garantindo melhor qualidade técnica;
✔️ Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, aumentando satisfação e engajamento;
✔️ Redução da rotatividade, mantendo profissionais experientes dentro do SUS e fortalecendo a assistência;
✔️ Melhor atendimento ao paciente, já que enfermeiros descansados e valorizados conseguem prestar cuidados mais humanizados e seguros.

A jornada de 30 horas também é símbolo da luta histórica da categoria, que busca reconhecimento real, respeito e condições de trabalho justas.

“Reduzir para 30 horas semanais não é luxo, é saúde, segurança e dignidade. É cuidar de quem cuida de todos nós.” – depoimento de enfermeira em mobilização nacional

A hora da mobilização e participação cidadã

Em ano eleitoral, a pressão da enfermagem é fundamental. Promessas vazias não resolvem problemas estruturais: é necessário apoiar candidatos que defendam direitos reais, participar ativamente das discussões e pressionar para que a PEC seja aplicada na íntegra.

A participação cidadã, especialmente de quem está na linha de frente da saúde, é decisiva na tomada de decisões legislativas. Quando os profissionais da enfermagem se organizam, participam de audiências públicas e caravanas, sua voz se torna parte ativa do processo de criação e aprovação de leis.

“Se não houver mobilização política, continuaremos sendo usados como moeda de troca, recebendo migalhas enquanto cuidamos da saúde do país.” – Enfermeira de Mato Grosso
Mobilização política da enfermagem
A mobilização política é essencial para garantir direitos e evitar retrocessos

Pergunta à categoria

A decisão agora é clara: aceitar a proposta de 36 horas como base de cálculo do piso ou lutar pelas 30 horas e piso digno completo? A escolha da categoria nos próximos meses definirá não apenas salários, mas também saúde, segurança e futuro da enfermagem brasileira.

A PEC 19 é uma oportunidade de transformar décadas de desvalorização em avanços concretos, mas somente com mobilização política e participação ativa da categoria.

36 horas?

E, no fim das contas, a proposta das 36 horas continua sendo uma piada de mau gosto: uma solução “viável politicamente” que na prática não resolve nada, mantém a sobrecarga e tenta convencer a categoria a abrir mão do que realmente importa. Porque, afinal, quem cuida de vidas todos os dias deveria se contentar com migalhas e promessas enroladas.

36 horas é piada de mau gosto
A proposta das 36 horas não representa os verdadeiros anseios da categoria
Enfermeira Jovelina
💚 Olá! Sou a Enfermeira Jovelina Tizot.

Tenho 32 anos de enfermagem e sou líder comunitária do Recanto do Sol.

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